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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Conversa comigo mesma


Neste isolamento compulsório, coloquei a conversa comigo mesma, em dia.

Quantos assuntos inacabados encontrei nas gavetas de minha memória, e que, por nunca ter tido tempo, os deixei assim, pela metade.


Nem todos, alguns até faltava pouco para concluir, outros apenas começados, mas a maioria, pela metade.


Em cada uma das gavetas abertas, um assunto encontrado.



Cada assunto, algo que ficou por fazer ou por concluir.


Só que percebi, esses assuntos, nenhum deles posso levar a termo agora, porque alguns já perderam a importância, outros não tem mais validade, outros ainda não me causam mais o interesse que na ocasião poderiam ter tido.


Todos eles perderam seu valor.


Aí pensei, será que se alguns deles houvesse concluído, hoje seria diferente?


Quem pode saber! 


Pois alguns desses assuntos foram apenas sonhos, e os sonhos, permanecem como tal para sempre.




quarta-feira, 15 de abril de 2020

Quadra


Imagem para preservar



Vi o lindo sol nascer
Uma flor desabrochar
 Lua cheia disputar 
Essa Paz no amanhecer.

Haikai




Esse por do sol
as nuvens e esta ferrugem
sonho o arrebol






Poetrix

O Soluçar no pranto

Voz da solidão,
porta bandeira da dor
machucado coração.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Sonhos Desfeitos


Sonhos que se escoam

Pelos vãos dos dedos

Tristezas que se eternizam

Em um padecer sem fim

Deixam na alma a lacuna

Que não se preenche

E que fica eterna  no coração


São lágrimas que ecoam

Dentro dos medos

E que na dor finalizam

Dentro de mim

São como uma escuna

Perdida num mar imenso

E que se perdem na emoção


Quando as lágrimas descem sem sentir,

Sem nenhum esforço,

São aqueles momentos que só o abraço

O amor e o carinho

Me faz novamente sorrir

E me entrego em oração.





domingo, 25 de agosto de 2019

Seguindo o vento





Tantas vezes vi o sol iluminar uns rostos tristes,
a chuva molhar algumas faces sorridentes.
Muitas vezes vi lágrimas caírem pela dor,
e outras maiores por alegria, ou por amor.
Também vi folhas caírem pela seca, tristemente,
outras apenas por ser outono, ou ser a sua vez.
Vi flores perderem a cor por negligência,
mas centenas delas feneceram,
por ser sua hora em contingência.
 
E num relance, vejo a vida entre os dedos,
escorrendo liquidamente, por prazer,
não dando tempo, ao meu tempo, que sozinho,
esguio e despercebido segue em frente,
deixando sorrisos e flores no caminho,
num andar calmo e indiferente.

Meu olhar não consegue perseguir o vento,
que leva minha alma insegura
pelos campos que eram verdes,
e que não são mais de esperança,
mas de um amarelo pálido da secura,
no sorriso sem anseios e sem lembranças.
No cantar do rouxinol enviuvado em seu repente,
no sorriso indisciplinado da criança,
que vive no interior de cada um.

E os rostos tristes, não tornaram a ser alegres,
e os sorridentes, talvez,
também venham a entristecer.

E assim permanece a vida
em uma corrida alucinada,
não levando em conta de nada,
nem o canto solitário,
do pássaro sem companheira,
num andar desamparado do ser.
Não leva em conta
o som do sol brilhando no orvalho,
enquanto as flores sobreviventes,
se esgueiram no amanhecer.

Enfim, nem sei se o olhar persegue a realidade,
ou se este mundo é uma ilusão,
apenas sigo com passos largos,
na incerteza de uma estrada de verdade,
que me traga, não só pedras, mas a Paz no coração.