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segunda-feira, 20 de julho de 2020
Indriso heptassílabo
Aprendendo ao caminhar
Passeando na calçada,
As pedras duras do chão,
Ressoam uma lição .
Aprendo ao dar as passadas,
Que tenho no andar da vida,
E mesmo sem ser querida,
O dever de ter amor,
A quem a mim dá valor.
domingo, 19 de julho de 2020
Sem destino
Entre os sóis que queimam algumas almas frias,
neste mar de ilusões que se espalham nuas,
o andar fica muito lento e sem destino,
pairando saudades, sons sem alegrias,
a esperança deixa a vida em desatino,
e as verdades serão sempre muito cruas.
Divagando
Quem dera o vento fosse lúcido,
e as flores conversassem menos.
O sol não gritasse ardentes faíscas em meu interior,
poderia, então, quem sabe,
retornar ao mundo de onde vim,
colocar meus sonhos na janela,
sorrir para o beija flor,
olhar a rosa que se abre no sussurro que é só dela,
pois a esperança que fugiu sem medo,
de deixar minha alma empobrecida assim,
nunca mais voltou ao ninho úmido,
deste coração amarrotado de segredos.
Aqui, a presença do silencio invade,
chega de mansinho e fica ao meu redor,
esta saudade.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
A juventude e a velhice
Entrei na loja de novidades e
presentes naquela manhã fria e chuvosa, característica da região em algumas
épocas do ano. Enquanto olhava os artigos expostos nas prateleiras, todos
rigorosamente arrumados por tipo e qualidade, notei que uma senhora já com os
anos bem adiantados, tentava chamar a atenção da vendedora no outro lado da
loja. Continuei a olhar os objetos expostos, pois procurava uma caderneta de notas,
com certo desenho na capa que minha filha de 10 anos se apaixonara ao ver a de
uma amiga. E a senhora continuava a fazer ruídos com os dedos no balcão: toc,
toc, toc, e nada da moça do outro lado da loja lhe dar atenção. De repente a senhora, já um pouco nervosa,
falou alto:
-
Moça! Quero pagar o lenço que peguei!
E a moça veio então com ar
arrogante e mal educado:
- É claro que deve pagar se quiser
levar! - falou com maus modos.
- Estou há vários minutos tentando
chamar sua atenção, e você nem sequer olhou, quanto mais vir me atender - disse
a senhora.
- Se quiser levar, pague e leve,
mas deixe de perturbar!
A senhora então pagou o lenço e
saiu, com a cabeça baixa e sem jeito, com os olhos tristes.
Quando ela saiu a moça falou:
- Não suporto esses velhos chatos!
Chegam a cheirar mal!
Com o coração penalizado, olhei a senhora que saía da loja e pensei, hoje em dia, são poucas as pessoas que têm
respeito por pessoas de idade. Os jovens pensam, em sua paixão pela vida, que se
tornarão imunes ao tempo e que nunca envelhecerão, e assim pensando, tratam com
o maior desrespeito àqueles que foram jovens como eles, mas que o passar do
tempo lhes branqueou os cabelos e lhes deixou com passos lentos.
Será que os idosos incomodam tanto
por viverem? Será que o mundo não está andando porque nascemos, vivemos,
envelhecemos e morremos? A juventude de hoje deveria
entender, que eles nasceram e estão caminhando para o mesmo patamar onde os
idosos de hoje estão, e que, com certeza, sentirão a mesma dor quando seus
filhos assim os tratarem, seguindo seu exemplo no desrespeito humano.
Hoje somos, amanhã não seremos mais.
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Crenças humanas
O ser humano tem a tendência inata de crer em alguma coisa.
Já na idade da pedra, quando a mente ainda reinava pelas obscuridades de um
nascer, o homo já deixava pelas paredes das cavernas imagens do que considerava
sagrado, na necessidade de sentir-se protegido. O mundo evoluiu, criaram-se
religiões e crenças diversas, porque o íntimo do ser humano continuou a
precisar de algo maior em que acreditar.
Aí surgem os que pretendem saber como fazer as pessoas a
melhorar de vida, e oferecem livros de auto ajuda, amuletos os mais diversos e
conselhos não solicitados.
Por falar em amuletos, uma ferradura atrás da porta, um
lenço na janela, uma cruz pendurada no peito, um pé de coelho no molho de
chaves. Ou quem sabe, um elefante na cozinha ou um pinguim na geladeira. Coisas
da vida!
Mas, se deixarmos de trabalhar e lutar pela vida, veremos se
o ‘segredo’ trará o que comer e o que vestir.

