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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Coração triste

Sonhos que se escoam,

pelos vãos dos dedos,

tristezas que se eternizam,

em um padecer sem fim,

deixam na alma uma lacuna,

que não se preenche,

e fica eterna  no coração.


São saudades que ecoam,

dentro dos medos,

e que na dor finalizam,

dentro de mim,

são como uma escuna,

perdida num mar imenso,

e que se perdem na emoção.


Quando as lágrimas descem,

sem sentir,

sem nenhum esforço,

são aqueles momentos que só o abraço,

o amor e o carinho,

me fazem, novamente sorrir.

Então, me entrego em oração.

domingo, 11 de outubro de 2020

Caminhada


Na esquina da vida eu busco,

O silenciar da ilusão,

A existência esvaindo,

E o destino se cumprindo

No caminhar neste chão.


sábado, 10 de outubro de 2020

Ah! Esse Brasil que eu quero!

(heptassílabo escrito em 2015)


Tem cheiro de liberdade,

Muita fé na humanidade,

E em Deus, assim espero!

Ao Brasil, quero também,

Mais trabalho em harmonia,

E que também chegue o dia,

Pra confiar em alguém!

Também, aqui estou querendo,

Grandes sonhos que combinem,

Que às crianças ensinem,

Muita Ordem e o Progresso!

São coisas que sempre quis.

Tenho esperança, confesso,

Que seja realidade,

Se ter mais civilidade,

E que seja um só País!

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Ouvindo a chuva


Ah! gosto de ouvir ao longe,

 as trovoadas prenunciando,

 esta dádiva da chuva.

Felicidade vem dela,

abro logo a janela,

para este frescor entrar.

E os pingos a açoitar,

as folhas do coqueiral,

e as roseiras no beiral.

O meu ser agradecido,

pois muito tenho sofrido,

com a seca arrasadora.

Oro em silêncio profundo,

pela chuva salvadora.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Tempos idos


Quando minha mãe fazia uma geleia, uma cuca, um doce de leite da hora, mandava sempre um "pratinho" para uma das vizinhas. Hora era uma, ora era outra. Dizia: vai num pé e volta noutro, nada de ficar brincando com "fulaninha". Então eu ia. E para retribuir, quando essas vizinhas faziam algo diferente, também mandavam um tanto para nós.

Havia também as Visitas no meio da tarde, ou à noite, sem aviso, era só chegar. Todos eram bem-vindos ao convívio de todos. Sempre havia na despensa ou nos armários, doces, compotas, licores, biscoitinhos, bolachinhas, sequilhos, e o insubstituível pão caseiro assado no forno de brasa, para servir a essas visitas inesperadas.

Era assim nas cidades interioranas, todos unidos para viver uma vida, que hoje, pouca gente sabe que existiu. A vida comunitária de verdade. Aquela vida onde as receitas deliciosas eram passadas nos cadernos de linha, à lápis, por mãos quase sempre muito calejadas pelas lidas diárias. Lidas essas, que não impediam ninguém de ser amigos, fazer visitas, levar o último licor da fruta da época feito nas imensas cozinhas, que no interior eram mais sala de visita que cozinha, e onde tinha sempre algo em cima do fogão, ou no forno, esperando para ser consumido.

Gente trabalhadora, esforçada, honesta, onde um fio de bigode valia mais que uma promissória, na época. As casas simples eram feitas por eles mesmos, as camas, colchões, cadeiras e mesas, também. Os fornos e fogões eram de barro ou tijolos. Esses, vindos da olaria do amigo que fazia para uso próprio, e distribuía aos conhecidos que não sabiam fazer. E recebia desses amigos aquilo que ele não sabia, ou não tinha tempo para fazer.

Como está longe esse tempo! Aliás, não está muito longe, está aqui no meu coração saudoso, guardado com carinho no armário de minhas recordações, e o vejo lá escondidinho nas gavetas de minha saudade.

Tempos idos, tempos inesquecíveis, mas às vezes esquecidos pelas novidades dos novos tempos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

A busca

(Escrita em 2018)


A vida do ser humano,

é uma viagem no escuro, 

e as coisas, por quais procuro,

em um mar de incertezas,

enfrentando as asperezas,

neste navegar insano,

talvez, não encontre agora.


Pode ser grande a demora,

pois o barco que eu uso,

do qual sou o timoneiro,

vai me levar com leveza,

e num momento certeiro,

vou encontrar, com certeza,

assim que chegar a hora.